sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Carta de perdão


Antonio, cada dia que estudo mais tenho mais e mais certeza do quanto fui agressiva com vc em seu nascimento, do quanto te prejudiquei e do quanto te fiz sofrer.
Acho que na época meu medo de ficar internada sozinha, sem acompanhante foi o que me fez escolher pela cesárea como forma de seu nascimento, a desinformação era grande mesmo a mamãe sendo enfermeira e gostando imensamente dessa área de obstetrícia! Eu desconhecia o que eram doulas e sobre o parto domiciliar assistido!
As informações errôneas dadas por obstetras as gestantes também influenciam muito nas escolhas de várias mamães desinformadas. Hoje já sei que não existe falta de dilatação, que circular de cordão, hipertensão, diabetes, bebê grande ou pequeno, mamãe grande ou pequena, nova ou velha, bolsa que estourou há tanto tempo, trabalho de parto de tanto tempo não são indicações de cesárea! Um dia quando você for grande vai entender isso e espero que ajude sua mulher a parir seu filho da maneira mais natural possível.
Deus nos fez perfeitamente capazes de parir, de saber colocar um bebê no mundo naturalmente e somos capazes disso!
Hoje sei a violência que você sofreu, estava quietinho, dormindo na barriga da mamãe, enroladinho, quente, no escuro, e de repente colocam a mão na sua cabeça, te puxam com força, te esticando, te acordando do soninho, para um lugar frio, claro, longe da mamãe! Claro que você chorou muito, te vi rapidamente e depois fiquei com o coração na mão de saber que você estava longe de mim, chorando muito! Colocaram um colírio que não tem necessidade e ardeu muito seus olhos, te deram picadas, aspiraram seu nariz e boquinha, te manusearam de todas as formas, enquanto a única coisa que era necessária era o colo da mamãe e o peito da mamãe para te aquecer, matar sua fome e te acolher, com muito amor!
Por isso tudo que tenho o sonho cada vez maior de fazer obstetrícia e fazer muitos bebês não sofrerem o que fiz você sofrer.
Espero que um dia quando crescer você me entenda, entenda minha fraqueza, veja o quanto me arrependi e possa me perdoar!
Te amo imensamente e sei que a forma como nasceu não mudou isso, mas sei que tudo que sofreu não vai voltar atrás, quero sempre te dar muito amor, carinho, educação e muito apego para ver se me redimo de alguma forma!
Quero você filho, sempre comigo nessa jornada, em busca de um mundo melhor, mudando a forma de nascer!

Te amo! Mamãe

4 comentários:

  1. Tani acho que o caminho é mesmo a gente se informar e fazer diferente no futuro. Como mãe também desejei um nascimento mais digno e respeitável para o meu filho, que nasceu em uma cesária de emergência após 36 horas em trabalho de parto que não evoluía. Acho que poderia ter sido diferente se tivesse menos ansiosa, mais tranquilidade, menos intervenção familiar e segurança emocional. Estava com um médico de PN, uma doula maravilhosa... mas não rolou. Ele passou por todos os procedimentos desnecessários que são feitos na maioria dos hospitais. Mas consegui amamentá-lo na primeira hora de vida e não nos desgrudamos mais depois disso. Tinha consciência na época, graças à Deus! E o passado a gente não pode mudar e nem acho que vale a pena remoê-lo. Só que acredito que podemos tirar lições de nossas vivências e usar experiências e lembrançaas negativas como fator de transformação para um futuro – e um presente – melhor. Um beijo, Tani, e parabéns por buscar informações e estudar sobre tudo isso. Na sua profissão é essencial e sei que vai fazer a diferença!

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  2. Oh amiga! Ser mãe de primeira viagem tem esses riscos! Tenho certeza que todo o amor que ele tem recebido tem sido maior que o processo de nascimento dele!

    Beijos

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  3. Que lindo Tani! E a nossa vida é assim mesmo, cheio de aprendizado e crescimento. Com certeza o Antonio sabe a mãe maravilhosa que você é independente da forma como nasceu, mas sei que bate uma dorzinha no peito por não termos respeitado o natural, a hora dele, sinto o mesmo pelo o meu Antônio. Fique tranquila e que essa tristeza por esse momento que já passou possa sim impulsionar uma grande mudança na sua vida e na de outras pessoas. Muito bacana que esteja refletindo. Você é uma mãe incrível. Bjo enorme

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  4. Tani, eu respeito a sua opinião, mas não entendo o porquê de tanta culpa! Acho válido você querer fazer diferente da próxima vez, mas deixe a culpa de lado, pense apenas no lado bom do nascimento do Antônio. Eu optei pela cesariana, mesmo tendo muita informação e a minha escolha não teve influência da minha médica. Mas, às vezes, tenho até medo de falar isso e ser apedrejada em praça pública! Tenho consciência de que a minha filha sofreu algumas intervenções desnecessárias, mas ela saiu comigo do centro cirúrgico, mamou na primeira hora de vida e não nos separamos mais. O nascimento dela foi o momento mais feliz da minha vida!

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